CORTE CIRÚRGICO

Reduzir gastos em períodos de recessão econômica é fundamental, entretanto, pode não ser tão simples quanto parece

Reduzir gastos em períodos de recessão econômica é fundamental, entretanto, pode não ser tão simples quanto parece

Texto: Vitor Giglio
Imagens: Divulgação

A recessão econômica atravessada pelo Brasil traz, simultaneamente, alguns fatores extremamente prejudiciais para toda a cadeia econômica, especialmente para os lojistas do varejo. Ao mesmo tempo em que a redução na demanda por produtos e serviços é drástica, convivemos com um altíssimo índice de inflação, que torna mais caros tudo aquilo que consumimos, inclusive aquilo que uma empresa precisa adquirir para exercer sua atividade fim.

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Portanto, para continuar operando sem mais prejuízos à qualidade dos serviços e produtos oferecidos, é preciso enxugar os gastos. É aconselhável, porém, que na medida do possível, sejam reduzidos apenas custos e despesas e não os investimentos da empresa. Maurício Mezalira é especialista no assunto. O consultor do Sebrae-SP garante que é possível otimizar as despesas fixas de uma empresa a fim de melhorar sua estrutura funcional, e dá algumas dicas.

“É preciso separar entre o que pode ser poupado imediatamente e o que interfere apenas no médio e longo prazos. Obviamente ter a possibilidade de pagar um aluguel mais barato é ótimo, mas isso não é algo que se muda do dia para a noite. Em um primeiro momento, o que pode aliviar o caixa de uma empresa são os gastos fixos como luz, água e telefone. O problema é que estes gastos fixos oferecem pouca margem de manobra e acabam não resultando em um corte de custos que vá resolver a situação”, pondera. O consultor explica que é preciso buscar melhorar os processos e estar atento a novos sistemas de gestão e tecnologias. “É preciso ter consciência que existe uma opção mais em conta para tudo o que uma empresa usa e compra”, garante.

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O que faz a diferença

Maurício explica, porém, que é com funcionários e também na gestão de estoque e na compra e venda de produtos, bem como nas condições de venda ofertadas que se altera, de fato, a relação de dinheiro que entra e sai do caixa da loja. “É preciso evitar o estoque de coisas desnecessárias, o que só se justificava quando a empresa apresentava uma condição financeira mais equilibrada. Da mesma maneira, é preciso repensar as condições de vendas parcelada. Não digo encerrar esta modalidade de venda, mas verificar a aceitação perante o público de um parcelamento de no máximo três, quatro vezes, ao invés de 10, por exemplo”.

Especialização

Para melhor determinar o tamanho, volume e diversificação do estoque, Maurício sugere quem, ao invés de “feeling” e “achismo”, o empreendedor se baseie em cálculos matemáticos. Existe uma série de fórmulas e cálculos disponíveis para auxiliar na constituição do estoque, que medem desde o tempo necessário para renová-lo quanto o período médio para vendê-lo. Estar em dia com estas contas é uma forma extremamente sagaz e inteligente de economizar e gastar apenas o necessário e no momento apropriado.

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Não se esconda

Maurício Mezalira faz questão de lembrar que cortar gastos envolve estratégia e planejamento e que cortar gastos em marketing e publicidade, por exemplo, pode representar o sumiço da empresa junto à lembrança de seus potenciais clientes. “Se esconder é a pior coisa que uma empresa pode fazer. Não investir na comunicação e na publicidade pode ser extremamente perigoso quando falamos de médio e longo prazo, principalmente, afinal, todas as empresas precisam de uma base de clientes nova”, finaliza o especialista.