Cummins cria caminhão elétrico pesado para reinventar seu negócio

Texto: Redação Foto: Divulgação

A Cummins desenvolveu e apresentou na terça-feira, 29, em seu centro de tecnologia, nos Estados Unidos, um inédito protótipo de caminhão elétrico pesado

O Aeos, um cavalo mecânico 4×2 rodoviário Classe 7 com peso bruto total (PBT) de 33,7 toneladas e capacidade para tracionar quase 20 toneladas de carga, mas apenas 160 km de autonomia antes de precisar recarregar o pacote de baterias, o que atualmente demora uma hora, tempo que a Cummins promete baixar para 20 minutos até 2020, quando espera que os primeiros caminhões equipados com seu trem-de-força elétrico comecem a ser vendido por alguns de seus clientes norte-americanos.

“Definitivamente não queremos ser fabricantes de caminhões, esses são os nossos clientes. Queremos ser um fornecedor de powertrain como já fazemos hoje, mas com diversidade de opções, inclusive a totalmente elétrica”, esclarece Jennifer Rumsey, executiva-chefe de tecnologia (CTO) da Cummins.

Sobre a autonomia do caminhão, Jennifer admite que é curta para tornar a solução comercialmente viável, mas afirma que “pode ser usado por transportadores que operam entre cidades próximas e passam por zonas com restrições de emissões e ruídos”.

Com potência do motor elétrico de 476 cavalos (350 kW) e torque máximo de 3.400, frenagem regenerativa para recarregar as baterias e painéis no teto para captar energia solar, segundo a Cummins o Aeos é de 25% a 35% mais rápido do que um caminhão similar equipado com motor diesel de 11 a 12 litros, com consumo equivalente de diesel de 12,75 km/l.

ROTA TECNOLÓGICA

Com o Aeos a Cummins mostra que conhece o caminho do futuro, mas sabe que esta ainda não é a solução final para o transporte rodoviário pesado de longo curso.

Por isso trabalha em opções bem mais palpáveis, desde o desenvolvimento de motores diesel mais eficientes – que ainda vão dominar as estradas por décadas à frente – até o uso de combustíveis alternativos, como gás natural, metanol e etanol.

Não está claro quanto tudo isso vai custar, mas a Cummins pretende oferecer ao mercado o seu trem-de-força elétrico de autonomia estendida a partir de 2020.

A Cummins se prepara para não viver mais só em torno do diesel. Nesse sentido, a eletrificação não é a única solução alternativa em desenvolvimento.

Esta em testes o Ethos, um motor a ignição bicombustível, que roda com mistura de etanol (85%) e gasolina, com a promessa de ser tão econômico e robusto quanto um diesel.

A ideia é testar outros biocombustíveis e sintéticos no Ethos, que deve dar origem a uma família de propulsores flexíveis altamente eficientes, podendo também receber hibridização elétrica leve, a “mild hybrid”, em que um pequeno motor elétrico serve apenas para ajudar a dar impulso ao veículo nas partidas e assim economizar combustível.

Ainda que um pouco mais tarde do que fizeram alguns dos principais fabricantes globais de caminhões e ônibus na rota da eletrificação dos veículos comerciais, a Cummins decidiu mostrar que também está nessa mesma corrida.

Nesse sentido o nome de seu protótipo elétrico tem forte significado: na mitologia grega, Aeos é um dos quatro cavalos alados que puxam a carruagem do deus Hélio, que personifica o Sol. Um mito quer pode ajudar a Cummins a não se tornar um mito do passado.