Inteligência competitiva nas pequenas empresas

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Inteligência competitiva

Conheça a inteligência competitiva e quais os benefícios que o processo de aprendizagem pode trazer para as pequenas empresas

Por: Vitor Giglio
Fonte: Sebrae

Estudar o mercado em que atua é fundamental para o sucesso de qualquer empresa, independente de tamanho, estrutura e ramo de atuação. As grandes empresas, por possuírem mais recursos à disposição, se apoiam em diversos estudos e, mais do que isso, contratam profissionais ou mesmo terceirizam serviços especificamente para recolherem informações, analisá-las e traduzi-las, de maneira que esses dados possam ser utilizados como base para fomentação de novas campanhas e desenvolvimento de novos produtos.

A maior parte das pequenas empresas não possui estrutura para elaborar estudos semelhantes, nem mesmo alcançar campos de pesquisa tão vastos, entretanto, estas empresas tem sim ao seu alcance processos que sejam capazes de detectar tendências e transformações no segmento em que atuam, e as empresas que já se utilizam destas técnicas, certamente estão caminhando em passos mais largos que as demais.

Um destes eficazes processos de captação de informação chama-se inteligência competitiva (IC).

O que é IC?

A incerteza na ambiência, a imprecisão e ambiguidade em relação a fatores externos – no ambiente nacional e internacional – mudanças culturais, demográficas, tecnológicas e político-institucionais – são fatores que interferem no sucesso dos negócios.

As organizações e empresas de qualquer porte e segmento devem estar atentas a essas transformações e usar essas informações de mercado de maneira inteligente. Isso garantirá sua sobrevivência em uma economia capitalista altamente competitiva.

Os empreendimentos, até mesmo de micro e pequeno porte (MPE), deparam-se com o desafio de criar, utilizar, compartilhar informações e conhecimentos com o apoio das tecnologias da informação e da comunicação (TIC).

Esse processo é denominado Inteligência Competitiva (IC). A IC é um processo de aprendizagem definido pela competição. Com base em informações de mercado, permite a otimização da estratégia corporativa em curto e longo prazo.

Define-se, assim, como conhecimento adquirido sobre os concorrentes e o ambiente competitivo. O conhecimento adquirido com a Inteligência Competitiva dá às organizações habilidades para lidar com a complexidade e com os sinais da ambiência externa.

Com isso, passa a ser importante a incorporação de um programa sistemático e ético para reunir e gerenciar informações externas que podem afetar os planos e as decisões das organizações.

As MPEs e o IC

O pequeno negócio é considerado uma entidade específica com problemas administrativos substancialmente distintos dos da grande empresa. A estrutura administrativa é centralizada, as estratégias são intuitivas e de curto prazo, há baixa especialização, simplicidade e informalidade do sistema de informação e atuação em mercados locais.

As MPEs também têm dificuldades para acessar informações sobre o ambiente competitivo, uma vez que os recursos necessários para obter tais informações concorrem com os direcionados às outras atividades dentro dessas organizações.

Além disso, em virtude da fragmentação das informações, os pequenos empreendimentos nunca terão perfeito conhecimento de todas as variáveis ambientais que podem influenciar determinada decisão.

Por outro lado, nos pequenos negócios, os indicadores do dia a dia prevalecem sobre os de longo prazo. Logo, essas organizações tendem a olhar para os impactos na hora de tomar uma decisão. Também não dispõem de profissionais que tenham condições de analisar alternativas possíveis na hora de tomar decisões importantes e estratégicas.

Assim, a grande maioria das MPEs não consegue organizar e sistematizar informações sobre as influências das variáveis ambientais que afetam os segmentos nos quais estão inseridas.

Sebrae e a IC

As micro e pequenas empresas precisam da IC para auxiliá-las a diagnosticar sua posição competitiva, a buscar informações que deem suporte aos processos decisórios e ao planejamento estratégico. Com isso, os pequenos empreendedores estarão sempre atualizados acerca das mudanças ambientais, da posição competitiva e de qualquer mudança que afete os fatores críticos de sucesso.

Instituído constitucionalmente para dar suporte às MPEs, o Sebrae também apoiará esse segmento na implantação da IC. A ajuda está prevista nos planos de ações estabelecidos no Direcionamento Estratégico da Instituição para o período 2009-2015.

Uma das iniciativas do Sebrae é a implantação de Sistemas de Inteligência Competitiva Setoriais (SICS) em grupos estruturados, organizados e assistidos por Carteiras de Projetos.

Outra ação é capacitar empresários na interpretação de dados e informações importantes para a tomada de decisão e para o planejamento estratégico. Além disso, a entidade produz diversos estudos setoriais, pesquisas de mercado e informações tecnológicas e mercadológicas que estão disponibilizados na página de Estudos e Pesquisas.
Com o advento da internet, numerosas fontes de informações são colocadas à disposição dos usuários, facilitando pesquisa e disseminação de informações e alterando transações financeiras. A rede virtual beneficiou a IC com a aquisição e intercâmbio de informações entre organizações sobre o ambiente externo e sua estrutura.

Nesse contexto de troca de informações entre as organizações, as redes sociais podem contribuir de forma efetiva para a compreensão e elaboração de melhores estratégias para o processo de Inteligência Competitiva. Isso implica em compartilhamento, socialização e transferência de conhecimento, bem como em criação de ambientes para transferência desse conhecimento.

Também se caracteriza como uma grande oportunidade para as organizações inserirem a IC no espaço das redes, visando à interatividade com os fatores internos e externos. O planejamento das relações na rede é importante e deve ser capaz de direcionar ou redirecionar o fluxo da informação de maneira que as informações alcancem os destinatários que delas precisam para adequarem seus processos empresariais e, dessa forma, competirem com maior propriedade no mercado.

Redes sociais e a IC

Complementares ao processo de inteligência competitiva, as redes sociais ainda podem ser utilizadas como estratégia para planejar ligações que permitam o rápido acesso à informação.

Acredita-se que pessoas com maior predisposição para participar de redes assumem atitude de confiança e otimismo, pois têm consciência de que pertencem a algo maior e que suas ações repercutem, podem influenciar e até transformar outros seres humanos.

As redes possibilitam a identificação de especialistas de diferentes áreas e de experiências inovadoras bem sucedidas. Acrescenta-se a essa possibilidade o uso e aplicação das ferramentas da web 2.0 para os processos de IC.

Twitter

O Twitter é uma ferramenta poderosa de troca de informações, formação de redes e permite, inclusive, a formação de grupos de usuários, chamados Twibes. Profissionais de IC podem formar Twibes dentro de suas empresas a fim de montar uma rede de especialistas internos e externos e, com isso, trocar informações relevantes sobre o negócio.

Linkedin

Em combinação com outras fontes de informação primária e secundária, o Linkedin pode contribuir para a localização e comunicação com profissionais que têm os conhecimentos e competências para atender às necessidades das empresas relacionadas à Inteligência Competitiva.

Wikis

Analistas de inteligência ainda podem usar wikis para criar e manter colaboração com outros profissionais e, a partir daí, realizar o ciclo completo de IC: definir os requisitos de inteligência, partes de informações, testes e hipóteses de análise e debater as conclusões.

Assim, as MPEs devem se unir em redes sociais e aplicar a web 2.0 para competirem de forma mais eficiente num ambiente ambíguo e que se inova velozmente.